
O Muro de Berlim caiu há vinte anos. Hoje, há novamente festa nas ruas frias da capital alemã.
A net consegue sempre surpreender-me, mesmo quando estou mal disposto. O meu humor estava de acordo com o tempo, era cinzento. Contudo, no meio da tempestade, lá surgiu uma pequena brecha. A luminosidade foi aumentando e um sorriso acabou por se alojar na minha face. Realmente, há histórias fantásticas e, nos dias de hoje, só com muita imaginação é que se consegue sobreviver.

António Sérgio morreu. Quando vi a notícia na edição de ontem do Público online tive um baque. O homem que marcou a minha geração não tinha resistido a um ataque cardíaco.
De repente veio à minha memória as longas horas que passei a ouvir os programas onde descobria a música que mais ninguém passava na rádio portuguesa. Lembrei-me das reprimendas que ouvi por, a altas horas da noite, estar a ouvir o “Rotação” com o ouvido encostado às colunas; das gravações que fazia para depois partilhar com os amigos; das horas que passava a esmiuçar os novos grupos que tinham sido apresentados por António Sérgio.
Sem António Sérgio a minha juventude teria sido completamente diferente. A minha lista de amigos não incluía ninguém que não ouvisse o “Rotação”, “Rolls Rock” e “Som da Frente”. Os locais que frequentava passavam a música que tinha descoberto nestes programas e os discos que comprava estavam de acordo com a linha ditada por António Sérgio.
Morreu António Sérgio. Ontem Portugal ficou muito mais pobre.

A cerimónia de posse do novo Governo teve como momento alto a “intervenção” dos Homens da Luta. Apesar de não os terem deixado entrar no Palácio da Ajuda, a dupla Neto e Falâncio não deixou de manifestar bem alto o seu “apoio” ao governo de Sócrates.
Na sala, o incómodo dos ministros era bem evidente e as palavras de ordem dos Homens da Luta entravam directamente nas gravações que pretendem ilustrar a história de Portugal.
Na altura em que Cavaco e Silva iniciou o seu discurso, a tolerância democrática dos nossos governantes já tinha chegado ao fim (o medo de serem obrigados a ouvir perguntas incómodas à saída também ajudou) e as forças de ordem presentes no local prenderam a dupla de comediantes. A PSP diz que apenas os levou para a esquadra para identificação, mas testemunhas presentes no local, e citadas pelo Expresso, garantem que Neto e Falâncio foram metidos nas viaturas da PSP à força.
Neto bem gritava que só queria manifestar o seu apoio ao homem e comer uns croquetes, mas isso de nada lhe adiantou.
Aguardam-se novos desenvolvimentos sobre este caso e é provável que Sócrates venha à televisão dizer que os croquetes não são para o povo.
(podem ver o vídeo carregando no link dos Homens da Luta situado aqui ao lado)

Onde é que eu já vi isto? Será que foi no antigo Jornal Nacional da TVI ou será que a escultura inspirou alguma antiga vedeta da música americana?

Durante as longas paragens a que este blog é submetido, o seu autor vai vagueando pela net sem rumo definido. De quando em quando, pára para pensar um pouco sobre aquilo que vê e, muito raramente, toma algumas notas mentais com o objectivo de as publicar aqui.
Como a preguiça é muita, muito dificilmente esses devaneios dão origem a palavras escritas. O habitual é que as ideias fiquem presas no limbo e sem qualquer vontade de descerem à terra.
Mas, há sempre excepções. Por alguma razão inexplicável, certos pensamentos perduram no tempo e acabam por gerar algo de concreto. Claro que isso não significa que tais desvairos tenham qualquer importância e mereçam ver a luz do dia. Se calhar, o mais indicado seria que os delírios assumissem o seu estatuto de disparates e continuassem a deambular por aí.
Caso o blog tivesse leitores (em tempos, duas pessoas passavam por aqui mas já desistiram), estariam todos a tentar adivinhar o que iria sair daqui. O título e a foto contribuíam para o mistério. A solução, para não variar, seria banal.
Durante os seus passeios cibernéticos, o responsável deste espaço apercebeu-se que há dois tipos de blog: os que são escritos por mulheres e os que são feitos por homens.
Tirando os casos em que a temática é especializada ou específica, os blogs femininos têm sempre algo sobre livros, enquanto os homens abordam permanentemente dois temas: futebol e mulheres (a ordem não é importante).
Como está na altura de assumir a masculinidade do blog, a foto é de uma loira estonteante e o discurso na terceira pessoa é digno de um artista da bola.

No dia 8 de Outubro, um disco espacial desceu sobre o meu computador e raptou o autor deste blog. Uns meses depois, e também num dia 8, o dito cujo disco voador (a que outros chamam jogo online muito viciante) permitiu-me o regresso ao nosso mundo.
Reconheço que ainda estou algo baralhado, uma vez que a experiência vivida foi muito intensa, contudo prometo que a partir de agora vou passar a actualizar o “A Espuma dos Dias” de uma forma bastante irregular.
Para ilustrar este meu regresso, resolvi procurar uma imagem que, de alguma forma, estivesse relacionada com a situação. Como não encontrei nenhuma foto razoável de uma nave espacial, optei por esta bonita referência ao número 8. Afinal, é o dia da partida e do regresso…
Pouco antes de chegar a casa, encontrei um amigo que se dedica a estas coisas da internet. Dei “dois dedos de conversa”, falamos da crise, de trabalho e ele garantiu-me estar muito optimista.
Depois de ter manifestado a minha enorme surpresa pelo seu estado de espírito, ele explicou-me porque via o mundo “cor-de-rosa”. Em primeiro lugar, salientou que a tonalidade não estava relacionada com o PS ou com qualquer computador com nome de navegador. O seu optimismo estava simplesmente baseado numas fotos que estiveram na rede, já não estão, mas todos julgam que ainda podem estar.
Passo a explicar. O seu negócio está ligado ao tráfego que consegue gerar na net, ou seja, quantos mais visitantes, mais ganhos. Por outro lado, ele tem, há vários anos, uma página sobre a senhora de quem se fala. Como a procura de tudo o que está relacionado com a dita personagem subiu em flecha, as visitas ao seu site bateram todos os recordes. Logo, os proveitos também chegaram a níveis nunca antes vistos. Isto, apesar de a página nunca ter alojado qualquer foto comprometedora.
Terminada a conversa, entro no sossego do lar, ligo o computador e começo a navegar. Um pouco por todo o lado, surgem links que prometem as tais imagens. Cliquei num, dois, três, dez, vinte e… não vi nenhumas fotos. Apenas encontrei vendedores de “banha da cobra” que prometem aquilo que nunca tiveram.
Se já era mau ver meio país (e eu faço parte deste grupo) atrás de fotos íntimas que nunca deviam ter visto a luz do dia, tudo fica pior quando vemos que a outra metade está disposta a enganar os pobres crentes.
Sintomático é também o facto de estes vendedores de ilusões procurarem apanhar todos os tostões que andam no ar mas, ao mesmo tempo, não têm “tomates” para disponibilizar as fotos que todos comentam.

A cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, em Pequim, encantou o mundo e muitas vozes insuspeitas consideraram que o evento rondou a perfeição. Não vi o espectáculo em directo, mas penso ter assistido a grande parte da cerimónia nas muitas repetições que passaram nas televisões. Gostei bastante do que vi e percebi que a organização não se poupou a esforços para mostrar ao mundo a enorme capacidade da China.
Mas, os jogos não são só a cerimónia de abertura. As instalações olímpicas são bonitas, originais, funcionais e encontram-se sempre muito bem recheadas de público. As competições têm sido muito interessantes, há muitos recordes batidos e ainda faltam entrar em acção muitas modalidades. A segurança tem sido segura e as queixas são quase nulas. Em resumo, tudo parece “correr sobre rodas” em Pequim 2008 e alguns especialistas já dizem que vai ser impossível fazer melhores Jogos Olímpicos do que os chineses.
Tanta perfeição e unanimidade é de estranhar e hoje começaram a aparecer as nódoas que sujam o “pano imaculado”.
O italiano Enzo Carnebianca acusou o coreógrafo Shen Wei de se ter apropriado de duas obras das suas obras (“O tempo sem tempo” – coreografia, 1994 e “A família política” – pintura, 2003) para fazer quadros da cerimónia de abertura.
O director musical do espectáculo, Chen Quigang, admitiu à televisão estatal chinesa que a “Ode à pátria” foi cantada em “playback”, uma vez que a criança que deu voz ao tema não era suficientemente bonita para aparecer nas TV’s.
Um dos membros da organização, Wang Wei, reconheceu que algumas cenas da cerimónia foram previamente gravadas e trabalhadas em computador. Wang Wei justificou a opção com a falta de visibilidade no local e afirmou que as imagens tratadas foram utilizadas.
Para além disso, veio agora a público a utilização de voluntários para compor as bancadas de alguns eventos desportivos. Tudo seria normal se a organização não tivesse anunciado aos “sete ventos” que a lotação estava esgotada.
Já que estamos a falar em “nódoas”, também acredito que um dos medalhados de Pequim 2008 vai ter a coragem de, no pódio olímpico, alertar para o drama do povo no Tibete. Enquanto tal não acontece, resta a net para “agitar as águas”.

P.S.: Um dia destes vou escrever sobre os atletas portugueses presentes nos Jogos Olímpicos. Enquanto isso não acontece, podem acompanhar as prestações desportivas aqui.

Aceitam-se sugestões e a resposta mais original não terá direito a qualquer prémio.
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