O Presidente da República portuguesa resolveu entrar pela casa dos cidadãos à hora de ponta para botar faladura. Como estou habituado a que as televisões abram os seus noticiários com notícias importantes e bombásticas (ou seja, algo do género: “Mourinho partiu uma unha”, “Santana Lopes tem mais uma pulseira”, “Pinto da Costa foi a uma casa de alterne” ou “Mantorras continua a coxar”) fiquei curioso e resolvi adiar o jantar por alguns minutos.
Após alguns instante de expectativa, veio a desilusão. Então, não é que o Presidente resolveu perturbar a refeição da noite para dizer que tem “sérias reservas de natureza político-institucional sobre o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores”. Como é que um gajo que recebe, por mês, largos milhares de euros do erário público tem a lata de vir para a televisão dizer que tem dúvidas sobre um estatuto que os portugueses não conhecem, nem querem conhecer.
O Presidente de Portugal acha que pode vir estragar a sopa daqueles que ganham, por ano, uns míseros euros? Que pode perturbar o legítimo sossego do povo com reservas político-institucionais?
Os verdadeiros tugas não têm dúvidas, têm é dívidas e à hora do jantar querem ouvir “notícias” que lhes embalem a angústia. Para eles, os estatutos tem o mesmo valor que aquelas letrinhas pequenas que constam nos contratos de empréstimo (só servem para uns senhores meterem mais algum dinheiro ao bolso e quem se lixa é o mexilhão).
Espero que, para o ano, o Presidente se deixe de dúvidas. No dia 31 de Julho, o Senhor Cavaco Silva pode vir à televisão mas só para cantar o “é amanhã, dia 1 de Agosto”, dos Xutos e Pontapés, ou lembrar que se comemora o Dia Mundial do Orgasmo.
Versão alternativa:
Se Cavaco Silva quer conhecer os Açores e não quer pagar o bilhete de avião, que faça como eu: viaje pela net e conheça todo o arquipélago.

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