Pequim 2008

A cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, em Pequim, encantou o mundo e muitas vozes insuspeitas consideraram que o evento rondou a perfeição. Não vi o espectáculo em directo, mas penso ter assistido a grande parte da cerimónia nas muitas repetições que passaram nas televisões. Gostei bastante do que vi e percebi que a organização não se poupou a esforços para mostrar ao mundo a enorme capacidade da China.

Mas, os jogos não são só a cerimónia de abertura. As instalações olímpicas são bonitas, originais, funcionais e encontram-se sempre muito bem recheadas de público. As competições têm sido muito interessantes, há muitos recordes batidos e ainda faltam entrar em acção muitas modalidades. A segurança tem sido segura e as queixas são quase nulas. Em resumo, tudo parece “correr sobre rodas” em Pequim 2008 e alguns especialistas já dizem que vai ser impossível fazer melhores Jogos Olímpicos do que os chineses.

Tanta perfeição e unanimidade é de estranhar e hoje começaram a aparecer as nódoas que sujam o “pano imaculado”.

O italiano Enzo Carnebianca acusou o coreógrafo Shen Wei de se ter apropriado de duas obras das suas obras (“O tempo sem tempo” – coreografia, 1994 e “A família política” – pintura, 2003) para fazer quadros da cerimónia de abertura.

O director musical do espectáculo, Chen Quigang, admitiu à televisão estatal chinesa que a “Ode à pátria” foi cantada em “playback”, uma vez que a criança que deu voz ao tema não era suficientemente bonita para aparecer nas TV’s.

Um dos membros da organização, Wang Wei, reconheceu que algumas cenas da cerimónia foram previamente gravadas e trabalhadas em computador. Wang Wei justificou a opção com a falta de visibilidade no local e afirmou que as imagens tratadas foram utilizadas.

Para além disso, veio agora a público a utilização de voluntários para compor as bancadas de alguns eventos desportivos. Tudo seria normal se a organização não tivesse anunciado aos “sete ventos” que a lotação estava esgotada.

Já que estamos a falar em “nódoas”, também acredito que um dos medalhados de Pequim 2008 vai ter a coragem de, no pódio olímpico, alertar para o drama do povo no Tibete. Enquanto tal não acontece, resta a net para “agitar as águas”.

Free Tibete

P.S.: Um dia destes vou escrever sobre os atletas portugueses presentes nos Jogos Olímpicos. Enquanto isso não acontece, podem acompanhar as prestações desportivas aqui.