
António Sérgio morreu. Quando vi a notícia na edição de ontem do Público online tive um baque. O homem que marcou a minha geração não tinha resistido a um ataque cardíaco.
De repente veio à minha memória as longas horas que passei a ouvir os programas onde descobria a música que mais ninguém passava na rádio portuguesa. Lembrei-me das reprimendas que ouvi por, a altas horas da noite, estar a ouvir o “Rotação” com o ouvido encostado às colunas; das gravações que fazia para depois partilhar com os amigos; das horas que passava a esmiuçar os novos grupos que tinham sido apresentados por António Sérgio.
Sem António Sérgio a minha juventude teria sido completamente diferente. A minha lista de amigos não incluía ninguém que não ouvisse o “Rotação”, “Rolls Rock” e “Som da Frente”. Os locais que frequentava passavam a música que tinha descoberto nestes programas e os discos que comprava estavam de acordo com a linha ditada por António Sérgio.
Morreu António Sérgio. Ontem Portugal ficou muito mais pobre.

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